– Do que você precisa?

– Eu preciso de um cara que me olhe e me veja. Que ache outras mulheres bonitas, mas olhe diferente só pra mim. Que vibre pelas minhas conquistas, que torça por elas e que me console quando eu estiver triste. Que transe comigo porque não vai aguentar de vontade se não o fizer. E que me faça carinho sem que eu precise pedir. E que me note nos dias mais estranhos. Que me faça feliz. Que me ame. É disso que eu preciso.

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08ef122e05e7d84f549d5747707fd7f5377c34b3_mSe olhou.

O espelho veio num pacotinho bonito, que lembrava um saco de pipoca elitizado. De longe, jogou o pacote ao chão, ouvindo o tilintar dos caquinhos que se batiam uns com os outros com um certo prazer. Vagarosamente, abriu o embrulho enquanto ligava a TV. Como um doce bom, mastigou cada pedacinho do espelho e olhava relapsa as imagens das tragédias daquele dia. Cada caco que ingeria, perfurava suas entranhas e fazia brotar em sua face uma expressão de alívio. Já não se importava com a dor de estômago, a prisão de ventre ou a enxaqueca exaustiva. Cortava os dedos quando pegava os cacos e dilacerava a garganta quando engolia, mas não era nada se comparado à dor de ser deixado sozinha.

Se olhou novamente. Cuspiu a pasta de dente, enxaguou a boca e se virou sem olhar pra trás – o espelho já não tinha nada para lhe dizer.

Mais uma sexta de quinta – trupe de quinta! Na segunda, um blogueiro indica um tema; na quinta, você confere o mesmo tema de perspectivas diferentes. O que a trupe vê através do espelho?

amanda oliveira . ana maria . andré pacheco . izabel pompermayer . lara marx . rafael glass . rodrigo casales . victor godoi


papelnocaminhoBateu a porta e sequer teve coragem de olhar de novo, para conferir se estava bem fechada. Andou sem rumo, sem vontade, sem porquê. Por onde passava, deixava pedacinhos de papel para que ele pudesse segui-la, se fosse de sua vontade. Na lanchonete, comprou aquele doce pequeno que ele gostava, que Dona Dodó sabia fazer fazer como ninguém, por puro medo de que, na sua caminhada, não encontrasse outro parecido. Lá, deixou um pedaço de papel do tamanho do doce, com um restinho do creme na ponta, tirado do canto da boca.

Passou pela cafeteria em que se conheceram e lembrou sorrindo que ela nem gostava de café. Resolveu deixar um pedaço de papel maior, porque a importância da lembrança também o era. Olhou para o mirante, os olhos quase apertados contra o sol, e fez voar um origami que deveria se parecer com um passarinho – nunca fora boa com formas, principalmente de papel. Sentou de bandinha no banco da praça que tantas vezes presenciou as suas piores brigas – lá não deixou nada, não queria mais se lembrar. Como se fossem feitos de pedra, os pedacinhos de papel não voavam. Não sabia se era a sua força de vontade ou tamanho dos pedaços, mas permaneciam ali, no caminho traçado.

Chegou à rodoviária, com os olhos mareados. Deixou o bloquinho naquele canto no qual tantas vezes se despediram. Não eram mais necessários os papéis porque, se chegado ali, ele saberia para onde ela teria ido. Embarcou sem chorar. O caminho era longo mas, pela primeira vez, sentia que estava indo sem deixar nada para trás.

No bloquinho, em resumo, tudo o que queria ter dito: cansei de fazer papel de boba; não volto mais.

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A trupe é de quinta, mas eu, que já comecei bem, e só dei as caras na sexta. Na segunda, um blogueiro indica um tema; na quinta, você confere o mesmo tema de perspectivas diferentes. Conheça os caminhões de papel da trupe!

amanda oliveira . ana maria . andré pacheco . izabel pompermayer . lara marx . rafael glass . rodrigo casales . victor godoi


Me dói de um jeito esquisito no cantinho do peito imaginar todas as coisas que você vai viver sem mim.

[Me dói imaginar você indo, me olhando daquele jeito sapeca e me enchendo de saudade já no primeiro passo pra longe de mim. Dói pensar no dia seguinte, em que, por mais que eu queira, você não vai estar onde sempre esteve. Dói também pensar em tudo o que eu planejei dividir com você e não vai dar mais. Dói a sua ausência, ainda que a presença seja constante de uma forma ou de outra. Me dói saber que vai faltar você nas fotos, na dança, no café da manhã e no aconchego de todos os outros dias. Dói tanto só imaginar… se você soubesse]

Mas o que dói, na verdade, é saber que você vai viver tudo, mesmo sem mim.

Lindo, tô que nem criança, tô de alma limpa. Com você por perto, sou mais longe ainda.

♫ Renata Arruda – É ouro pra mim


AAHS001088Eu comprei uma roupa exótica e secretamente ousada. Arrumei o cabelo de um jeito diferente. Fiz uma maquiagem nova, pra variar. E aí? Todo mundo notou – menos você.

[as entrelinhas ficam só pra mim]


42-20093359“Amiga,

Você já começou o e-mail ‘errado’… o que a gente tá pensando? Se a gente tivesse pensando merda, FODA-SE (bem grande), buuuuuut somos suas amigas e jamais pensaríamos de você algo que fosse motivo de preocupação da sua parte. Minha félha, crise todo mundo tem, até a mais sólida das pessoas, e ela não escolhe momento certo pra vir, pelo contrário, vem nos mais improváveis. Há epocas na vida em que um simples tropeço na rua pode desencadear uma crise (que dirá um problema realmente importável). Sofrer por antecedência, lamento informar, também não é um privilégio seu. E ter medo, se achar covarde? Ó, pior ainda… é mais comum do que você imaginava. Resumindo, VOCÊ NÃO É UM ET. Você simplesmente está passando por dilemas existenciais que toda pessoa que tem o mínimo de sentimento e raciocício passa! Ok, é um saco, a gente se sente uma amebinha, mas… pois é, não somos os únicos, e tão inesperada quanto vem, a crise vai, mas com uma diferença: o ‘ir’ depende mais da nossa vontade do que o ‘vir’. As coisas nem sempre estão sobre o nosso controle, mas… imagina se estivessem? A vida seria um tédio, me poupe. Nada ia dar errado, todo mundo ia ser feliz e o mundo ia implodir de tão nojento que ia ser. Quer saber? Faz parte! Por mais clichê que isso possa parecer, é fato que tudo isso faz parte do seu processo de amadurecimento, que é constante. Quer parar de ter problemas desse tipo? Estacione e coloque um ponto final na sua vida. Fique es-tag-na-da e não terá mais com o que se preocupar, porque você NÃO IRÁ VIVER… viver é isso. É um saco durante um tempo considerável, mas a parte boa faz valer todo o perrengue que a gente passa. E não adianta quantos perrengues nós tivermos que passar: enquanto estivermos dentro dele, vai parecer que não tem solução, que somos feias, fracassadas, que tudo dá errado (e é só com a gente), que somos problemáticas e que, se a gente sumisse, metade dos problemas do mundo seriam resolvidos. Aí a crise passa, a gente olha no espelho e rimos de nós mesmas, do quanto fomos bobas e do quanto aquilo (AQUILOOOO), que parecia ser um problema gigantesco, era uma formiguinha no nosso Oscar de la Renta (iés, porque um dia seremos tão bem sucedidas que comprar um desses será como adquirir uma sandalinha na feira do Mineirinho).
Três conselhos:
1) Se ame! (A gente te ama – e muito – exatamente do jeito que você é do jeito que quiser ser. Mude o quanto quiser, desde que isso agrade VOCÊ antes de qualquer outro).
2) Continue na terapia (Jesus, essa mulher estava com Maomé quando ele recebeu a tábua dos 10 mandamentos… impossível! haha) e conte sempre com suas terapeutas particulares (us!)
3) Pare de achar que, se não fizer o que você acha que os outros esperam de você, estará decepcionando-os (Todo mundo que REALMENTE importa, quer o seu bem. Nem sempre é vergonhoso não conseguir e nem sempre é motivo de mérito o contrário… deprimente é não tentar e, isso, você nunca deixou de fazer. Como diria o meu amigo Steve Jobs – haha, meu chegado – ‘[…] você não consegue conectar os fatos olhando para frente. Você só os conecta quando olha para trás. Então tem que acreditar que, de alguma forma, eles vão se conectar no futuro. Você tem que acreditar em alguma coisa – sua garra, destino, vida, karma ou o que quer que seja’… O CARA, né? Pensa nisso. Eu me lembro muito bem que, a primeira vez que não passei no vestibular na Federal daqui e voltei pra Conquista, me senti “a” fracassada. Eu não queria ver ninguém, não queria conversar com ninguém, eu achava que todo mundo ia olhar pra mim com olhos de decepção, porque era assim que eu me sentia, uma perdedora por não ter conseguido aquilo que todos acreditavam e queriam que eu conseguisse – principalmente o meu pai, que sempre acreditou tanto em mim – … BURRINHA eu, né? Todo mundo tava morrendo de saudade, dando muito valor ao fato de eu ter tentado e felizes com a minha volta. Em nenhum momento uma só pessoa que me importava me olhou como se eu fosse uma perdedora… pelo contrário, depois que tirei essa “venda” de mim, vi que todo mundo tava me incentivando a seguir o caminho que eu me sentisse melhor, qualquer que fosse ele. Lembra disso, ok? E lá vou eu, fechar meu parênteses gigantesco).

Beijocas,

Nati”